"O essencial é saber ver, saber ver sem estar a pensar, saber ver quando se vê, e nem pensar quando se vê nem ver quando se pensa. Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!), isso exige um estudo profundo, uma aprendizagem de desaprender e uma sequestração na liberdade daquele convento de que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas e as flores as penitentes convictas de um só dia, mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas nem as flores senão flores, sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores." (Alberto Caeiro)




domingo, 13 de novembro de 2011

No meu tempo


Não há mais o que escrever
nesse momento não mais
sei que não perdi a capacidade de sentir
sempre estou a me perguntar disso.
não, não perdi.
não perdi nada do que me fez, faz ser o que sou.
Mas, já não há o que escrever
sei que volto
talvez um dia eu volte a escrever sobre a vida
pode ser daqui a dois minutos
não sei quando.
Disso não se sabe. Acontece
a vida acontece.
vou e volto
sou e não sou
sinto e não sinto
sou todos os paradoxos possíveis
‘miragens idênticas da presença e da ausência’
e já não me preocupo com isso
sei que é possível fluir mesmo assim
e fico pra ver todo o final, todo começo.
no meu tempo, guardo o meu momento.
A angustia já não me leva pra outra direção
mostra que estou vivo.

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