"O essencial é saber ver, saber ver sem estar a pensar, saber ver quando se vê, e nem pensar quando se vê nem ver quando se pensa. Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!), isso exige um estudo profundo, uma aprendizagem de desaprender e uma sequestração na liberdade daquele convento de que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas e as flores as penitentes convictas de um só dia, mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas nem as flores senão flores, sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores." (Alberto Caeiro)




domingo, 5 de junho de 2011

Da Falta

De vez em quando é preciso retornar das coisas que não entendemos.

Para que fiquem suspensas a espera de uma explicação.

Que também não precisa existir.

Para que possamos nos perder em outras coisas que não entendemos.

Que sempre vêm.

Quis te dizer, mas faltaram as palavras.

Faltaram? Não sei.

Há uma falta de sentido.

É o que resta quando enfrentamos a falta de sentido, quando falham as nossas convicções.

O corpo.

Sentir que o corpo responde independentemente das palavras.

Objeto das contradições do intelecto, maestro ignorado dos nossos jogos pulsionais.

Não se entendem.

O que vem de fora e o que vem de dentro.

O que fica e o que vai.

Uma confusão.

E tudo

Não está em lugar nenhum.

O que nos falta é o que temos.

O que nos resta é o que queremos, mas que nunca sabemos onde buscar.

De vez em quando, retornar de nós para nós mesmos.