"O essencial é saber ver, saber ver sem estar a pensar, saber ver quando se vê, e nem pensar quando se vê nem ver quando se pensa. Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!), isso exige um estudo profundo, uma aprendizagem de desaprender e uma sequestração na liberdade daquele convento de que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas e as flores as penitentes convictas de um só dia, mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas nem as flores senão flores, sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores." (Alberto Caeiro)




quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Metáforas da loucura


Tive a sensação
de nunca ter estado presente
e por isso sei que fui por inteiro
tudo o que podia ser
e ainda sou
Como se não fosse possível pensar
tão abstrato que se perde na intelectualidade
Dele não se sabe falar
não se ouve
e nada se vê
e tudo não passa de uma especulação
a ponto de não existir
Não houve espaço para a invenção
mesmo assim sempre resta um vazio
o de quando se vai embora
deixando tudo no mesmo lugar
no seu lugar
Silêncio da ausência
o mesmo silencio da presença
Metáforas da vida e da loucura:
do amor nada se sabe.


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