"O essencial é saber ver, saber ver sem estar a pensar, saber ver quando se vê, e nem pensar quando se vê nem ver quando se pensa. Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!), isso exige um estudo profundo, uma aprendizagem de desaprender e uma sequestração na liberdade daquele convento de que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas e as flores as penitentes convictas de um só dia, mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas nem as flores senão flores, sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores." (Alberto Caeiro)




sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Tudo tem um lugar


Não há nada novo no que sou

Por todas as vezes que quis, brinquei com os sonhos

Criei sentidos

Tem de haver ao menos uma maneira pra se deixar à vida

De não deixá-la escapar

Um jeito de olharmos para o que não sabemos

Somos todos os mesmos modos

Criamos as mesmas ilusões

Não há nada de novo no mundo

Por onde corro encontro sempre o mesmo não

Não!

Não há nada que nos faça esquecer

Tudo tem um lugar

Tudo fica disponível

Todos os medos que nunca superamos

Não há nada de novo em não querer ser

Os círculos não têm fim

Sempre se volta de onde não se sai nunca

E sempre se vai

E tudo está escrito com as mesmas palavras


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